Acho que aposentadoria deveria ser constitucional do ser humano. Me explico: penso que todos nós deveríamos nascer aposentados do mesmo modo que nascemos bípedes. Não concebo o trabalho como uma coisa natural mas como uma necessidade criada a partir de complexas relações sociais e mercadológicas. Particularmente, não acho que o trabalho enobreça o Homem; pelo contrário, o considero aviltante na maioria dos casos. Mas minha intenção não é fazer discurso de cerimônia para a inauguração de ONG ou para alguma espécie de instituição religiosa ou de caridade que preza o enaltecimento do espírito em detrimento dos prazeres da carne. Gostaria de deixar registrado o meu desejo de NÃO participar das relações trabalhistas vigentes no mundo capitalista. Portanto, abro mão do salário, das férias, do décimo terceiro, do fundo de garantia e do seguro desemprego. Só não abro mão da aposentadoria!!!!!!! Acrescento que não sou desempregada porque não estou procurando emprego. Por favor, não me chamem para nenhuma entrevista de trabalho, não mencionem meu Curriculum Vitae nem peçam minha referência para terceiros.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Antologia Visual - exposição realizada em Bebedouro, SP em janeiro de 2010
Título: MaquiaBélico
Título: Ad efemerum
Ad efemerum: aquilo ou o que se desgasta, que sofre ação do tempo, que não dura para sempre, que não é eterno, que morre.
Título: Imprevisões do Tempo

Título: Veneza
Título: Appenzell
Gostaria de agradecer a todos aqueles que tornaram possível a realização da exposição Antologia Visual e, em especial, ao amigo Francisco Bárbaro e sua equipe. Promover um evento requer tempo, dinheiro e principalmente pessoas capazes de trabalharem harmonicamente em conjunto. Apesar da maior parte do trabalho ter sido desenvolvido à distância, foi possível a realização do mesmo.
Aproveito o espaço do blog para reproduzir parcialmente Antologia Visual.
Aproveito o espaço do blog para reproduzir parcialmente Antologia Visual.
CONSIDERAÇÕES SOBRE MEU TRABALHO FOTOGRÁFICO
As fotografias aqui reunidas são o resultado de uma tentativa de aproximação entre a fotografia e a pintura com o intuito de devolver àquela a possibilidade do exercício de contemplação. Assim, procurei explorar objetos ou coisas que se encontram escondidos no cotidiano, que não se apresentam de maneira fácil e óbvia ao olhar, mas que requerem discernimento do mesmo. Afinal, o que se revela por trás da água, do vidro ou mesmo do espelho? Qual a textura de uma parede que sofreu as intempéries do tempo? Qual a cor da poeira sobra a ferrugem?
Com todos os recursos tecnológicos que temos à disposição, qualquer objeto pode ser capturado através da objetiva. Para que se torne fotografia, porém, é necessário mais que uma câmera: é imprescindível o olhar do artista.
Em Antologia Visual selecionei trabalhos cuja proposta consiste em trazer à tona o caráter contemplativo e ao mesmo tempo experimental da minha produção artística.
Em Antologia Visual selecionei trabalhos cuja proposta consiste em trazer à tona o caráter contemplativo e ao mesmo tempo experimental da minha produção artística.
CONSIDERAÇÕES SOBRE MINHAS COLAGENS
As colagens aqui reunidas são o resultado do desdobramento de uma pesquisa realizada a partir de alguns conceitos-chave em arte contemporânea como, composição, apropriação e arte conceitual. Alguns questionamentos nortearam esse trabalho, por exemplo, quais os critérios adotados durante a execução de minhas colagens, como criar um trabalho genuinamente pessoal a partir de imagens já existentes e, ainda, qual a função do título dentro da minha proposta de trabalho.
Essa exposição apresenta colagens cujos elementos em comum residem no binômio:
- criação de uma linguagem pessoal a partir de imagens da História da Arte, do cinema, da publicidade, entrelaçadas a recortes de fotografia de minha própria autoria.
- construção de um título que se associe à colagem em uma relação de ambiguidade, ironia ou complementação.
Interessados em ver mais fotos de Karina Minto favor acessar http://www.flickr.com/photos/karinaminto/
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Àrvore Genealógica - apropriações
Essa é uma das poucas fotos da minha mãe quando criança. É engraçada essa sensação de ver a própria mãe pequena. Me dá uma vontade de pegá-la no colo e apertá-la com força. Cresci com a imagem de uma mãe forte, que sempre batalhou na vida e que nunca teve medo de nada, com a imagem de uma mulher serena e tranquila, comedida em seus gestos, com tom de voz doce e manso. Sua calmaria só era rompida - até hoje é assim - pelos acessos de riso descontrolados que tinha frequentemente. Pela foto, imagino que desde criança ela era uma fofura: fita enorme no cabelo, jeitinho tímido que se nota pela posição do corpo: ombros baixos, olhar enviesado, barriga arrebitada devido à posição do pescoço em evidente desejo de esconder o rostinho. Me dá vontade de ser mãe da minha própria mãe para lhe dar tudo o que ela não teve, para poder retribuir tudo o que ela fez - e ainda faz - por mim.
O casamento dos meus padrinhos de batismo.
Eles, além de outras pessoas da família, me proporcionaram uma infância feliz. A madrinha Dota era - e ainda é - um mar de paciência e o padrinho Darcy me levava pra passear em seu fusca azul. Sentada no banco de trás, eu via a vida passar em movimento. A narrativa para meu cinema particular, eu mesma criava.
Meu pai, meu herói. Quando era pequena me sentia protegida quando ele estava por perto. Essa é uma das poucas fotos em que está sem barba. Devo a ele o desapego às coisas materiais, o desejo de rebelião, o não cumprimento das obrigações, a informalidade e o gosto por viagens.
Aos seis anos aproximadamente.
Nessa época, eu já sabia qual era a diferença entre os sexos mas, era tão ingênua que não sabia ao certo para que servia. Me lembro, porém, que meu primeiro paquera na escola se chamava Toninho. Não casualmente tinha o mesmo nome do meu pai. Eu estava atravessando o Édipo e não sabia.
Aos dois. Nessa fase me encontrava em plena fase oral. A carinha de boa menina era só pose para foto. Fora dela, eu atacava todo mundo com os dentes e .... como era gostoso morder.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Eu tinha quatro anos quando a Dani nasceu e fui eu que escolhi seu nome.
Geralmente são os pais que escolhem o nome dos filhos mas, nesse caso, o nome era tão lindo e eu estava tão decidida que minha irmã não teve outra escolha a não ser a de se chamar Daniela.
Quando minha irmã nasceu comecei a me interessar por bonecas.
Minha mãe, meu pai, minha vida
Durante essas férias me ocupei das fotos antigas. Fiz uma seleção e fotografei as que mais gosto. Claro que foi uma sessão nostalgia! Às vezes digo que sinto saudades do que não vivi. Acho que é porque a história de cada um começa antes de nós mesmos. A minha, aproximadamente, começa com a união dos meus pais ... e se meu pai tivesse morrido naquele acidente de carro quando ainda era noivo da minha mãe, eu não teria nascido. Deve ser por isso que sou tão apegada à vida.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
O pior filme da semana
O último filme de Tom Tykwer (1965 - ), Trama Internacional, não superou as expectativas. Como o próprio título sugere, o diretor alemão, conhecido por filmes como Corra Lola Corra, O Perfume, Inverno Quente, A Princesa e o Guerreiro, entre outros, levou às telas esse longa de espionagem numa tentativa explícita de rodar em estilo hollywoodiano. Infeliz tentativa de mudança, pois a riqueza da maioria de seus filmes consiste, justamente, em tudo o que não traz de americano. Para os apaixonados pelo cinema contemporâneo alemão, nada mais frustrante que assistir a um filme de espionagem que parece querer a qualquer custo conquistar Hollywood. Acho uma pena quando um diretor, no auge da maturidade cinematográfica, abandona seu modo peculiar de filmar em prol de um mercado consumidor que privilegia o faturamento em detrimento da arte.
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