Eu não quero dizer nada com isso é uma série que realmente não se propõe a nada: a nenhum tipo de leitura, interpretação, consideração, divagação ou qualquer outra coisa; se presta somente ao exercício compulsivo do fotógrafo que não sabe o que fazer com sua câmera e com seu tempo livre. Apesar disso, se algum crítico desocupado quiser se debruçar sobre essa proposta, que se sinta à vontade. Afinal, a Crítica - e seus representantes - têm sempre algo a dizer.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Eu não quero dizer nada com isso
Eu não quero dizer nada com isso é uma série que realmente não se propõe a nada: a nenhum tipo de leitura, interpretação, consideração, divagação ou qualquer outra coisa; se presta somente ao exercício compulsivo do fotógrafo que não sabe o que fazer com sua câmera e com seu tempo livre. Apesar disso, se algum crítico desocupado quiser se debruçar sobre essa proposta, que se sinta à vontade. Afinal, a Crítica - e seus representantes - têm sempre algo a dizer.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Sob encomenda
Sob encomenda são fotografias - ou outros trabalhos - que eu faço a pedido de terceiros e que não têm necessariamente relação direta com meu processo criativo. Apesar disso, são eles que me permitem arcar com os custos da minha criação. Essas fotos de cavalos foram feitas em uma Hípica a pedido de um proprietário de uma galeria e encontram-se à venda na Herança Cultural em Bebedouro, SP.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Vendida
Vendida na galeria Herança Cultural em Bebedouro, SP
Impressão fine art
Tiragem limitada 1/5
Dimensão: 40 cm x 27 cm
terça-feira, 19 de junho de 2012
About Love
Nos últimos tempos venho desenvolvendo um trabalho que aborda a intimidade das relações amorosas através da fotografia. Algo como uma crônica sobre o amor contada por meio de imagens. Tal proposta consiste em fotografar situações cotidianas que, apesar de não serem necessariamente íntimas, encontram-se confinadas no ambiente doméstico. Penso que esse projeto tenha surgido por razões específicas. Primeiro porque sempre me interessei pelo alheio - razão pela qual me formei em Psicologia. Segundo porque comecei a sentir necessidade de evidenciar o modo como os afetos se manifestam através do não dito.
Devido à dificuldade em encontrar casais dispostos a se deixarem fotografar em suas vidas cotidianas, modifiquei a proposta do projeto e comecei a fotografar cenas do meu dia a dia.
Por ser um projeto que se encontra ainda em andamento, posto somente essa imagem para que se possa ter uma ideia da proposta.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Esboços
Mais um esboço que surgiu como uma tempestade em meio ao deserto. Rabiscos, asneiras sem importância que nem eu mesma gostei mas que postei como registro do meu processo de criação. Quem é o outro que nos habita? Por que surgem esses monólogos interiores aparentemente sem nexo? Aos poucos o sem sentido vai ganhando forma. Desdobramentos acontecem quando um texto vira imagem ou vice-versa.
Se eu me chamasse Dolores, teria mil amores para deles me lamentar. Passaria a vida triste, sonhando acordada com príncipe que não existe e morreria sem me casar.
Se eu me chamasse Carmelita teria os olhos esbugalhados e muitas histórias pra contar. Falaria pausadamente, me ateria aos detalhes e todo mundo teria imenso prazer em me escutar.
Se eu me chamasse Adelaide, eu teria as pernas tortas e vinte netos para cuidar.
Mas se eu fosse a Sueli, eu seria cafetina, mulher de traficante com treze filhos de sobrenome "Jesus".
Se eu fosse a Rosalina, seria vizinha do Alfredo e faria o possível para não incomodar. Usaria chinelos de borracha, imprecaria em voz baixa e me esforçaria para não me exaltar.
Mas eu gostaria mesmo era de me chamar Isabel, a misteriosa noiva de Gardel de quem nunca ninguém ouviu falar.
Se eu tivesse um nome composto não teria dúvidas da minha importância na Terra e diria em voz alta : prazer, meu nome é Ana Bella.
Mas se eu me chamasse Jurelda, pertenceria a uma estirpe pouco nobre e teria dívidas para saldar. Tudo na minha vida daria errado e eu não teria um centavo para me assegurar.
Se eu me chamasse Amparo, talvez tivesse origem divina, seria filha de mãe benzedeira.
Mas eu me chamo Nina. Sempre quis ser bailarina, tocadora de pífaros, acrobata de ladeira. Sou fraca dos ossos e não muito boa da cabeça. Filha de imigrantes, ganho o pouco que me basta e não tenho muito o que falar. Prefiro fazer as coisas sozinhas para não ter de quem me queixar. Tem dias que acho esse mundo uma bosta, escrevo insanidades como válvula de escape para não surtar.
Se eu me chamasse Dolores, teria mil amores para deles me lamentar. Passaria a vida triste, sonhando acordada com príncipe que não existe e morreria sem me casar.
Se eu me chamasse Carmelita teria os olhos esbugalhados e muitas histórias pra contar. Falaria pausadamente, me ateria aos detalhes e todo mundo teria imenso prazer em me escutar.
Se eu me chamasse Adelaide, eu teria as pernas tortas e vinte netos para cuidar.
Mas se eu fosse a Sueli, eu seria cafetina, mulher de traficante com treze filhos de sobrenome "Jesus".
Se eu fosse a Rosalina, seria vizinha do Alfredo e faria o possível para não incomodar. Usaria chinelos de borracha, imprecaria em voz baixa e me esforçaria para não me exaltar.
Mas eu gostaria mesmo era de me chamar Isabel, a misteriosa noiva de Gardel de quem nunca ninguém ouviu falar.
Se eu tivesse um nome composto não teria dúvidas da minha importância na Terra e diria em voz alta : prazer, meu nome é Ana Bella.
Mas se eu me chamasse Jurelda, pertenceria a uma estirpe pouco nobre e teria dívidas para saldar. Tudo na minha vida daria errado e eu não teria um centavo para me assegurar.
Se eu me chamasse Amparo, talvez tivesse origem divina, seria filha de mãe benzedeira.
Mas eu me chamo Nina. Sempre quis ser bailarina, tocadora de pífaros, acrobata de ladeira. Sou fraca dos ossos e não muito boa da cabeça. Filha de imigrantes, ganho o pouco que me basta e não tenho muito o que falar. Prefiro fazer as coisas sozinhas para não ter de quem me queixar. Tem dias que acho esse mundo uma bosta, escrevo insanidades como válvula de escape para não surtar.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Faz de conta
Esse texto ainda é um esboço que começou a se formar durante uma noite de insônia. Geralmente minhas insônias estão associadas a momentos de grande euforia e de muita produção. Ultimamente tenho dedicado meu tempo a fotografar e escrever, o que acabou por resultar em associações entre imagem e escrita.
Além disso, já faz algum tempo que venho elaborando considerações sobre o duplo (ver postagem com o mesmo título) e suas aparições no meu processo criativo (ver Lisa Kaprow e Nina Moscovich). O que segue é, portanto, um trabalho em processo, em vias de construção.
Faz de conta que nasci na Rússia e que leio Dostoievski em cirílico ou que nasci na Polônia e assisto Kieslowski em língua original, que nasci no Himalaia e sonho em conhecer a Patagônia, que nasci na Indonésia e meu passatempo preferido é estudar espanhol assistindo a filmes cubanos.
Faz de conta que sou descendente de imigrantes curdos residentes no Irã, que nasci em Guiné-Bissau e falo um dialeto crioulo. Faz de conta que nasci em Calcutá e sou devota de Madre Teresa.
Faz de conta que estudo mandarim por conta própria e sou autodidata em ciencias ocultas, que sou viúva de Godard ou enteada de Lacan.
Faz de conta que sou tonta, que acredito nos deuses da sua religião e nos seus patuás.
Que sou surda e não entendo bem o seu inglês.
Faz de conta que sou preta.
Faz de conta que sou branca.
Faz de conta que sou confusa.
Que morro de amores por Minas Gerais e que cito Milton Nascimento em voz alta para me consolar.
Faz de conta que trabalho para algum meio de comunicação e que só conto lorotas para servir ao patrão.
Faz de conta que sou estúpida, que acredito no William Bonner e em todos os seus discípulos.
Faz de conta que sou Pina e que ainda não morri.
Faz de conta que sou Madalena e que não me arrependi.
Faz de conta que sou Madalena e que não me arrependi.
Faz de conta que sou bruxa, que sou fada, Julieta, Rapunzel, Judite, Madalena, Cinderela ou Salomé.
Não sou puta nem sou santa
apenas faço de conta
Faço de conta que sou outras para ser eu mesma.
Para ser eu mesma, faço de conta.
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